29 de abril de 2011

quis voar
- tinha asas, afinal, pra isso

mas também tinha vertigem

tanto tempo preso
não lhe trouxe apego ao chão

mas, ao tirar-lhe do convívio
com o ar
livre
lhe puseram nas costas
todo o peso do mundo
que os tolos pisam

quis voar
: não conseguiu

20 de março de 2011

(ainda)

olhar
e pensamento
vagos
perdidos

em algum lugar
lá
longe

lá dentro

uma lágrima
foi encontrada

ela virou nascente
de uma cascata
que se formou
em seu rosto

ficou feliz,
sua busca não foi em vão

: (ainda)
havia vida
dentro de si

28 de fevereiro de 2011

do último abismo
do qual caí
só lembro

da espera
desesperada

do encontro com o chão

e da nada suave
queda

4 de janeiro de 2011

Capítulo 2011

Eis que outro ano começa.
Eis que o tempo segue - não, ele não volta.
Eis que a memória permanece - ou, ao menos, resquícios dela.

Eis que a esperança se renova...

E isso eu não sei explicar.

Talvez porque não saibamos ao certo o que esperar, o que será desse novo ano...

Justamente por ser novo.
Justamente por ser tempo que não passou.
Justamente por não repousar nas memórias.

Por ser mais imaginação... Por ser mais invenção de nossas cabeças...

Por ser história. História prestes a ser escrita.

Na história de nossas vidas, um novo capítulo começa. Capítulo 2011.

Que venha para enriquecer nossa história. Que nos renda novas histórias felizes.


Feliz 2011 a todos!
por mais que o mundo
dê voltas e voltas e voltas
ele sempre volta
para o mesmo lugar

ainda que o passado escoe
por meus olhos
sempre haverá
lágrimas
a chorar

12 de dezembro de 2010

cada dia mais eu sou

cada dia mais eu sou

o mundo à minha volta
que dá voltas em mim mesmo

o poço cheio dágua
que vaza pelos meus olhos

o mar de sangue
que corre acelerado
em meu peito

e o pensamento lá em
- sei lá,
qualquer coisa!

o cansaço do cotidiano
da repetição
das coisas
da vida...

o mundo gira
tudo muda
nada fica
no lugar
de onde veio

cada dia mais eu sou
eu mesmo

4 de novembro de 2010

Tarde

gosto de, à tarde, te ver caminhar

como quem se esquece
ao sabor do vento

parece até
que os delicados pés
nem tocam o chão

por um momento
leve brisa no sertão

desprendimento